ELTON DE OLIVEIRA SOARES

QUESTÕES PARA SE DEBATER COM OS PROTESTANTES EM RELAÇÃO AO CRISTIANISMO

Por que não sou protestante?

Hoje em dia, ao ouvir falar que alguém é cristão, é muito comum perguntar para esta pessoa: em qual denominação ela congrega. Isto se deve em muito a fatores psicossociais que, procurando a satisfação pessoal, se mostram como se fosse algo de livre escolha do indivíduo. Sua igreja dependeria única e exclusivamente de um sentimento de bem estar. Mas, a razão nos leva a verificar que, a vontade de Jesus, sempre foi a de criar uma única Igreja:
"Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (Mateus 16:18)
É possível sabermos a qual Igreja Jesus se referia, se procurarmos saber mais sobre a igreja primitiva?
Para os protestantes, os dias em que os apóstolos fundaram as primeiras comunidades cristãs, foi uma época muito semelhante à que hoje se encontra em suas diversas seitas que seguem os mandamentos de Lutero, com um sistema sacramental diluído.
Um ponto muito determinante para a objeção ao protestantismo, é a verificação que, eles erradicaram quase por completo, um sistema sacramental oferecido pela Igreja.
O conceito Sola Fide eliminou aquilo que o catolicismo entende por sacramentos, deixando apenas o batismo e a ceia como realidades figurativas. A alegação protestante é que, somente, a fé basta para a salvação, acreditando que este seria um retorno ao cristianismo primitivo.
Entretanto, através de achados arqueológicos, foi comprovado que o rito eucarístico já era praticado pelos primeiros cristãos, ainda no século IV.
A ciência nos mostra que, a santa missa como conhecemos hoje, era o verdadeiro rito cristão deixado por Jesus:

"Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo"(São Mateus 26:26)

Jesus é muito preciso ao dizer que: "isto é meu corpo", não deixando margem para interpretações equivocadas, das quais, as que pregam que ele só queria uma lembrança.

De fato, a celebração dos primeiros cristãos se centrava no Sacrifício de Cristo. Essa era a vontade de Deus como foi anunciado pelo profeta: “Porque desde o nascente do sol até o poente é o meu nome grande entre as gentes, e em todo lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura”(Mal.1,11)

Então, podemos concluir que, a igreja primitiva, era a mesma igreja católica de hoje. Se nos atentarmos melhor para isso, dizer algo contrário chega a ser blasfematório, pois, Jesus mesmo prometeu a sua igreja a vitória:
"No mundo, tereis tribulações. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!”(São João 16:33)
A igreja primitiva teve a garantia Divina que iria superar as adversidades e sobreviver, como também está escrito em Mateus 16:18.
Então, é lógico ver que, essa igreja do passado, é a mesma que cresceu até chegar os dias de hoje. Ao afirmar que a Igreja primitiva desapareceu com o tempo, como os protestantes o fazem, é o mesmo que dizer que Cristo fracassou.
Desprezar a autenticidade da Igreja é desprezar os apóstolos e o próprio Cristo. Algumas seitas modernas, tais como os neopentecostais, contestam várias práticas católicas e uma delas é o sinal da cruz. Dizem eles que seria uma invenção católica. Mas, não seria razoável ignorar documentos históricos que atestam sua origem antiga.
São Basílio de Cesareia, no século IV, nos relata no seu tratado sobre o Espírito Santo, no número 66, que existem várias tradições que nós recebemos dos apóstolos e não estão escritas nas Sagradas Escrituras.
"entre as verdades conservadas e anunciadas na Igreja, umas nós a recebemos por escrito e outras nos foram transmitidas nos mistérios pela Tradição Apostólica(...)antes, exemplo, para relembrar o que vem primeiro e é mais comum quem ensinou por escrito a assinalar com sinal da cruz aqueles que esperam o Nosso Senhor Jesus Cristo?"

É possível irmos mais além e comprovarmos que o sinal da cruz vem de uma tradição bíblica mais antiga. Em Ezequiel vemos:
"passa no meio da cidade, no meio de Jerusalém e marca um tal na testa dos homens que gemem e suspiram por tantas abominações que nela se praticam."(Ezequiel 9,4)

O tal nada mais é que um T, ou seja, o sinal da cruz. Dessa forma, vemos a prática do sinal da cruz sendo ensinada na Bíblia.
O protestantismo contesta tudo que é católico, mesmo com base bíblica.
Um dos pontos principais das contestações de Martinho Lutero, foram as indulgências concedidas pelo Papa Júlio II, no século XVI, para arrecadar dinheiro para as obras da nova Basílica de São Pedro. Na sua tese trigésima sétima, Martinho Lutero diz:
"Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência".
Martinho Lutero parece desconhecer a base bíblica que dá autoridade ao papa de ligar as coisas da terra ao céu (Mateus 16:19). Mas, talvez essa outra passagem do Evangelho lhe fosse por demais incômoda:
“Os pobres sempre tendes convosco e podeis fazer-lhes o bem quando quiserdes. Mas a mim não tereis sempre” (Mc14,7).
Uma obra realizada na Igreja é ao próprio Cristo quem a recebe. Contudo, a noção protestante foi a de ignorar tal base bíblica. É estranho que um doutor em teologia desconhecesse tal fundamento bíblico, nos fazendo entender que, esse esquecimento foi proposital!

É certo que, sem o apoio dos príncipes alemães, a Reforma protestante não teria o mesmo impacto que teve no Ocidente. Portanto, para Martinho Lutero, era essencial também agradar no aspecto político.
Essa origem do protestantismo, mesclado com o poder temporal, muito se assemelha com a divisão política e religiosa de Israel no Antigo Testamento.

A criação de um novo culto por Martinho Lutero, como no reino de Israel, foi inteiramente ocasionada por interesses políticos. E, diga-se de passagem, os mesmos que os príncipes alemães tiveram ao apoiar a reforma protestante.

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