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Francisco Amado

COMENTÁRIO DO CANAL: Nanook Of The North ( Nanook, o Esquimó ) de Robert J. Flaherty pode ser o primeiro filme sobre a relação do homem com a natureza. Flaherty ajuda a estabelecer a adaptação bem-sucedida do homem ao seu ambiente filmando cenas extraordinárias de caça e pesca, consistindo principalmente de planos médios.
Os poucos close-ups dos Inuits geralmente retratam os caçadores bem-sucedidos sorrindo enquanto comem suas presas. Flaherty contrasta esses momentos com sequências que comunicam as lutas dos Inuits com o mundo natural. Aqui, ele usa planos longos: Nanook e sua família se tornam pequenas manchas pretas quase invisíveis no grande quadro branco. No primeiro plano, o espectador vê rajadas de vento amargas dominando a paisagem desolada.
A técnica de Flaherty é simples, mas muito eficaz. Ele não apenas descreve o homem como uma mera parte de seu ambiente, mas enfatiza o quão impotente o homem pode se sentir em meio à fria indiferença da natureza. Ao mesmo tempo, as sequências de caça e festa estabelecem Nanook como um sobrevivente inteligente e resistente, um vencedor surpreendente sobre os elementos severos da natureza. Dessa forma, Flaherty faz de Nanook uma figura heroica.
CURIOSIDADES: A alegação de que Allakariallak morreu de fome em 1922, meses após a conclusão do filme, é falsa; ele não passou fome, mas provavelmente sucumbiu à tuberculose. Este filme foi selecionado para o National Film Registry em 1989 por ser "culturalmente, historicamente e esteticamente significativo". Foi o primeiro documentário a ser preservado no National Film Registry.
O filme foi patrocinado pela empresa francesa de peles Revillon Freres, que forneceu US$ 50.000 para a expedição de 16 meses do diretor Robert J. Flaherty até a metade do Polo Norte. Apesar de ter sido rejeitado por cinco distribuidores, o filme estreou na cidade de Nova York em 1922, após seu sucesso em Paris e Berlim, e arrecadou bem mais de US$ 40.000 em sua primeira semana.

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